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Júpiter - Sistema de Graduação

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
 
Antropologia
 
Disciplina: FLA0335 - Antropologia e Desenvolvimento
Anthropology and development

Créditos Aula: 4
Créditos Trabalho: 0
Carga Horária Total: 60 h
Tipo: Semestral
Ativação: 01/01/2011 Desativação:

Objetivos
Discutir perspectivas antropológicas para o estudo de experiências de "desenvolvimento" entre povos indígenas e/ou comunidades ditas “tradicionais”. Uma primeira parte do curso aborda a noção de desenvolvimento como uma linguagem e um campo de comunicação. Segue a discussão de algumas abordagens renovadas para os estudos do “contato”, focando relações entre povos indígenas e contextos de “globalização”. Uma terceira parte do curso será dedicada à apresentação e discussão de experiências localizadas de “projetos de desenvolvimento”, avaliando-se critérios utilizados para abordar problemas locais e demandas indígenas de auto-sustentação e autodeterminação. Um último bloco do curso será dedicado à problemática dos conhecimentos “tradicionais” e servirá de introdução à discussão dos impactos das políticas de patrimonialização cultural, bem como à complexa questão dos direitos intelectuais.

 
 
 
Docente(s) Responsável(eis)
87050 - Dominique Tilkin Gallois
 
Programa Resumido
 
 
 
Programa
O ponto de partida é o debate mundial sobre povos "autoctones" (4% da população mundial) e desenvolvimento, que enfatiza a relação direta entre perda de controle territorial e perda de autonomia cultural e política desses povos. Ao olharmos para a interpretação dessas situações, constata-se que as experiências de retomada de controle desses povos sobre seus recursos territoriais e a concomitante afirmação de que autonomia tem sido tratados, tanto no campo indigenista quanto da antropologia, enquanto "movimentos de resistência". Pretende-se discutir a insuficiência desta abordagem para a naálise das demandas e interesses dos povos indígenas, a partir de uma releitura de algumas perspectivas antropológicas sobre o contato interétnico, de concepções acerca da economia primitiva e das críticas ao determinismo ecológico. Também serão discutidos programas propostos para uma "antropologia do desenvolvimento", focalizando o papel do antropólogo e da interdisciplinaridade no quadro da atual revisão que a etnologia brasileira realiza acerca das abordagens tradicionais da "questão indígena".

 
 
 
Avaliação
     
Método
Aulas expositivas e seminários (2ª e 3ª partes do curso) sob responsabilidade dos alunos. A bibliografia específica para os seminários será apresentada no inicio do curso.
Critério
Elaboração de um paper (individual) sobre leituras e discussões da primeira ou da quarta parte do programa. Apresentação (individual) de um estudo de caso, em seminário (nas 2ª e 3ª partes do curso). Um trabalho final (individual), que deve consolidar a apresentação do estudo de caso, incorporando questões teóricas debatidas no curso.
Norma de Recuperação
A recuperação nesta disciplina será uma prova escrita, em data a ser definida no final do semestre. Além da prova, os alunos que não tiverem apresentado seminário e trabalho individuais, deverão também submeter um trabalho final, sobre temática a ser definida durante o curso.
 
Bibliografia
     
A seguir, textos para leitura obrigatória. A lista completa de textos para leitura complementar e apresentação em seminários será fornecida no inicio do semestre.

Introdução: os discursos do desenvolvimento
Duas sessões

1. Barreto, Henyo Trindade. Os predicados do desenvolvimento e a noção de autoctonia. Tellus, ano 6, vol.10, 2006.

2. Perrot, Dominique. Quem impede o desenvolvimento circular? Desenvolvimento e povos autóctones, paradoxos e alternativas. Revista Cadernos de Campo, n.17, 2008.

3. Escobar, Arturo. El “postdesarollo” como concepto y practica social. In: Daniel Mato (coord.), Políticas de economía, ambiente y sociedad en tiempos de globalización. Caracas: Facultad de Ciencias Económicas y Sociales, Universidad Central de Venezuela, pp. 17-31, 2005.

4. Ribeiro, Gustavo Lins. Poder, redes e ideologias no campo do desenvolvimento. Novos Estudos, vol 80, CEBRAP, 2008.


Primeira parte: “Identidades passadas, presentes e emergentes”
Duas sessões

5. Marcus, George. – Identidades passadas, presentes e emergentes: requisitos para etnografias sobre a modernidade no final do século ao nível mundial – Revista de Antropologia, vol.34, 1991.

6. Sahlins, Marshall - O "pessimismo sentimental" e a experiência etnográfica: porque a cultura não é um "objeto" em via de extinção (partes 1 e 2) - Mana 3/1 e 3/2, 1997.

7. Boccara, Guillaume – Antropologia diacrônica. Dinámicas culturales, procesos históricos y poder político. Nuevo Mundo Mundos Nuevos. EHESS, Paris, 2005.

8. Carneiro da Cunha, Manuela & Almeida, Mauro. Populações tradicionais e conservação ambiental. In: Cultura com aspas, Cosac Naify, 2009 (277-300).

Segunda parte: “Projetos é como branco trabalha”
Quatro sessões

Nesta 2ª parte do curso, cada aluno deverá escolher um texto referente à análise critica de experiências de desenvolvimento / projetos, para apresentação individual, ao longo de quatro sessões de seminários. Seguem os textos indicados para leitura obrigatória.

9. Baniwa, Gersen. Projeto é como branco trabalha; as lideranças que se virem para aprender e nos ensinar: experiências dos povos indígenas do Rio Negro. Dissertação de Mestrado – UNB. 2006 (capitulo a selecionar).

10. Souza Lima, A.C. & Barroso-Hoffmann, M. – Questões para uma política indigenista: etnodesenvolvimento e políticas públicas, uma apresentação – In: Etnodesenvolvimento e políticas públicas. Contra Capa Ed. e LACED, 2002.


Terceira parte: conhecimentos tradicionais e propriedade intelectual
Quatro sessões

Nesta 3ª parte do curso, também poderão ser apresentados estudos de caso, em seminários. Seguem os textos para leitura obrigatória.

11. Roué, Marie. Novas perspectivas em etnoecologia: “saberes tradicionais” e gestão de recursos naturais. In: Castro E & Pinton E. (orgs.). (orgs.). Faces do Trópico Úmido: conceitos e novas questões sobre desenvolvimento e meio ambiente. Belém: Cejup-UFPA-NAEA, 1997.

12. Saez, Oscar Calavia. Prometeo de pie. Alternativas étnicas y éticas a la apropriación del conocimiento. ABA, mimeo, 2001.

13. Agrawal, Arun. El conocimiento indígena y la dimensión política de la classificación. Revista Internacional de Ciencias Sociales, vol.173. set.2002.

14. Carneiro da Cunha, Maria Manuela. Relações e dissenções entre saberes tradicionais e saber científico. In: Cultura com aspas, Cosac Naify, 2009 (301-310).

15. Carneiro da Cunha, Maria Manuela. “Cultura” e cultura: conhecimentos tradicionais e direitos intelectuais. in: Cultura com aspas, Cosac Naify, 2009 (311-373).
 

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